Sunday, June 10, 2012

FANFIC - PAIXÃO E CRUELDADE - CAPÍTULO 6


Oi gente! Hoje o capítulo não está muito diferente do de ontem. Teremos mais revelações e descobertas surpreendentes...



Título: Paixão e Crueldade 
Autora(o): Lunah.
Shipper: Bellard
Gênero: Romance, Universo Alternativo, Lime, Darkfic, Drama
Censura: NC-16
Categorias: Saga Crepúsculo 
Avisos: Álcool, Linguagem Imprópria, Violência, Heterossexualidade, Sexo


Paixão e Crueldade
By Lunah


Atenção: Este conteúdo foi classificado 

como impróprio para menores de 18 anos.
"Estou ciente, quero continuar!"
Capítulo 6

Isabella PDV

Perto das 8:00h estacionei em frente à casa de Jasper. Quando ele saiu de casa, precisei baixar meus óculos escuros só para ter certeza de que o gato vindo em minha direção era mesmo o meu amigo.
– Jasper? – ergui uma sobrancelha.
Parado na calçada, apenas sorriu. O cabelo dele estava um pouco raspado na nuca e nas laterais, mas manteve seu cabelo comprido na parte superior da cabeça. Talvez nem tivesse percebido seu novo corte se ele não estivesse usando um rabo de cavalo. As mudanças não se limitaram aos cabelos. Jasper tinha se livrado dos óculos de grau e agora usava óculos escuros bem descolados. Quando meu amigo não estava de uniforme geralmente usava um sobretudo velho e feio. Onde foi parar o sobretudo? Não tenho a menor ideia! Jasper estava com um jeans surrado, camiseta preta e não dispensou o blazer do Democracy, o usando como uma piadinha. O visual rebelde realmente o deixou mais atraente.
– Droga! Eu também queria ir arrasando. – gargalhei.
– E você está. – entrou no carro.
Meu uniforme continuava “adaptado” para tirar a concentração dos garotos, pernas e barriga eram o meu forte. Eu bem queria me juntar os Filhos da Democracia no protesto, mas tinha que entrar no colégio e ver o que a direção faria com Edward.
– Está com medo? – Jasper me encarou.
– Morrendo.
Não sabíamos o que nos aguardava. Tínhamos apostado todas as nossas fichas naquele plano. Não havia um plano B. Tudo podia ter acontecido, desde Edward ter conseguido se safar, até ninguém ter aderido ao protesto por se acovardar. Havia uma probabilidade muito grande de nosso único tiro ter saído pela culatra. Isso sem falar que corríamos o risco de nos ferrar assim que colocássemos os pés no Democracy. Ainda assim, o que mais me aterrorizava era o pensamento de que talvez nunca mais tivesse outra chance de acabar com Edward.
– Quer saber? – deu de ombros. – Fizemos tudo que podíamos e o que não podíamos, Isabella. Agora só nos resta encarar de frente a vitória ou o fracasso.
– Quero te agradecer por tudo que fez. – coloquei uma mão em seu ombro.
– Eu é que te agradeço. – sorriu. – Não importa o que aconteça, entramos nessa roubada de cabeça baixa...
– Mas vamos sair dela de cabeça erguia. – completei apertando sua mão.
Olhei para frente, recoloquei os óculos escuros e dei a partida.

Quando chegamos ao colégio, ficamos parados observando o “circo” montado no estacionamento do Democracy. Nem em nossos sonhos mais ambiciosos imaginamos que tanta gente ia se juntar aos Filhos da Democracia. Havia vários carros tocando a música do Skid Row e centenas de alunos pulando em volta com a letra na ponta da língua. Pessoas onsideradas influentes se misturavam aos rejeitados ignorando as regras ridículas que foram estabelecidas nas gerações anteriores.
Pela primeira vez não havia divisão ou interesses conflitantes, pois todos ali estavam buscando algo além da vidinha pré-estabelecida pela instituição e suas normas de conduta. Finalmente estávamos vendo quantas pessoas nossa mensagem alcançou, e eu não precisava contar para ter certeza de que 90% dos estudantes estavam presentes, dispensando o uso do uniforme só para fazerem parte de algo realmente importante. Não sei como isso aconteceu, mas nossa vingança misturou-se de tal forma com os ideais utópicos de Jasper, que no final das contas, se transformou em algo benigno e libertador.
Com a perplexidade pairando sobre nossas cabeças, tiramos os óculos escuros, nos encaramos por três segundos, então explodimos em uma gargalhada. Queríamos sair gritando, mas tivemos que nos conter para não virarmos suspeitos.
O refrão de Youth Gone Wild soava em coro de uma forma tão potente que era impossível ficar indiferente. Dava vontade sair pulando e se entregar àquela energia que emanava de todos os lados.
– Olha aquilo! Olha aquilo! – Jasper me cutucou indicando o cara que carregava uma faixa vermelha com o nome “Força aos Filhos da Democracia”.
– Meu Deus... – murmurei embasbacada.
Não fazia a menor idéia de como a diretoria estava lidando com aquilo. Pareceu que tentava ignorar o tumulto permitindo a entrada só de quem estava uniformizado, mas em breve eles teriam que tomar uma atitude, pois o número de pessoas no protesto aumentava cada vez mais.
Nervosa, subi em cima do capô do meu carro e procurei por aquele que deveria estar sendo julgado pelos alunos.
– Ele não está aqui. – disse Jasper. – A essa altura Edward já fugiu da cidade com o rabinho entre as pernas.
– Não pode ser... Não é justo!

Edward PDV

Entrei no banheiro masculino com o cabelo e o uniforme sujos de ovo. Tentei tirar o excesso de sujeira com papel, mas não adiantou nem um pouco. Lavei bem o rosto e depois encarei meu reflexo. Não pisquei os olhos na esperança de acordar daquele pesadelo.
Só soube o que Bella fez depois que cheguei ao Democracy. Foi um imenso choque encontrar uma multidão protestando no estacionamento. Quando colocaram os olhos em mim canalizaram toda a revolta em forma de vaias e xingamentos. Foi perturbador ter centenas de pessoas me ameaçando, me senti totalmente acuado.
Encostei a testa no mármore da pia com vontade de vomitar. Meu corpo estava reagindo à vergonha... E eram muitas vergonhas. Todos assistiram ao vídeo onde eu desrespeitava os alunos e depois transava com Bella na sala do diretor. Não sabia o que fazer, não entendia por que aquilo estava acontecendo comigo. Era como se tivessem me jogado no centro de um tornado e eu girasse rápido demais...
A analogia juntamente com o mau cheiro finalmente me fez vomitar. Joguei mais um pouco de água no rosto e ouvi um gemido abafado. Estava ficando louco ou conhecia aquele gemido? Era inconfundível!
Corri para o último cubículo, pois era ali que os Falcons transavam com as garotas fáceis. Ao ver que estava fechado me curvei e avistei os pés do casal. Coloquei as mãos na porta e minha respiração falhou.
– Tânia? – indaguei sem vontade.
Depois que fui enganado por Bella, finalmente tomei consciência de que ela era capaz de tudo, então, para não correr o risco de Tânia saber sobre meu deslize pela boca da maldita, eu mesmo contei. Ficamos a madrugada trancados no carro brigando, na verdade Tânia brigou e eu fiquei apenas escutando, pois não havia argumentos a meu favor.
– Eu sei que está aí. – me afastei com a nítida impressão de que tinham agulhas perfurando meu peito.
– Que bom que sabe. – abriu a porta com a face fechada em rancor.
– O que está fazendo? – era difícil demais perguntar.
– Estou pagando na mesma moeda. – respondeu com os olhos marejados.
Balancei a cabeça tentando falar, mas não consegui. Eu sabia que merecia, só que a dor da traição anula a lógica.
– Você nos humilhou, Edward! – começou a gritar soluçando. – Jogou tudo que construímos no lixo por causa de uma vagabunda. Tanto que fiz por você, tanto que...
– Do que está falando? Tanto que fez por mim? – ri sem humor. – Você não era absolutamente ninguém quando te conheci. Não era por minha causa que bancava a “santinha” do colégio. Fazia tudo isso para ser respeitada e admirada. Então, por favor, não me venha com esse papo.
– Está brincando? – se revoltou. – Denunciei o Mike para você ser o melhor Falcon. Fiz isso pelo seu futuro, seu cretino ingrato!
– O quê? – deixou-me ainda mais perplexo. – Foi você?
– Quem mais teria coragem? – fitou-me com ódio.
Decidido a não me deixar distrair por aquilo, puxei Tânia pelo braço desbloqueando a passagem e invadi o cubículo a fim de acabar com a raça do covarde escondido ali. No entanto, quando coloquei os olhos no indivíduo, um nó se formou em minha garganta.
– Foi mal, cara. – Emmett murmurou.
Preferia que Tânia tivesse transado com o time inteiro, mas não com Emmett. Éramos amigos desde que me entendia por gente. O cara era a única pessoa no mundo em que eu confiava... e a única que não tinha motivos pra me trair.
– Por quê? – se havia algo sólido dentro de mim, começara a rachar naquele instante.
– Achei que estava tudo bem já que... fez o mesmo com a novata. – pigarreou fechando a calça. – Não vamos deixar isso afetar nossa amizade, certo? São só garotas!
– Nunca transou comigo, mas transou com ele? – encarei Tânia.
– Não vou carregar o apelido de corna. – cruzou os braços. – Prefiro ser chamada de qualquer outra coisa, menos de corna.
Tânia estava mais preocupada em salvar o que restou de sua reputação do que com o nosso relacionamento.
Precisei sair do banheiro para não sufocar. Sem rumo, não sabia que direção tomar, então caminhei pelo corredor principal. De repente, ouvi meu nome ser chamado pelos alto-falantes. Imediatamente fechei os olhos, sentindo que toda uma vida de dedicação fora arruinada pela exploração do meu pior erro.
– Edward, espera! – Emmett me alcançou e ousou colocar-se diante de mim. – Cara, não vale a pena ficar bolado por isso. Não estou tentando roubar sua namorada, foi só sexo.
Uma cortina vermelha fechou-se sobre minha visão esmigalhando o resto de dignidade que ainda me restava. Em um ímpeto, empurrei Emmett contra os armários e avancei sobre ele esmurrando o seu rosto. Como eu esperava, ele reagiu. Colocou a mão no meu pescoço e me forçou a recuar.
– Não precisava ser assim, Ed! – socou meu estômago.
Afastei-me curvado e sem equilibro, porém aquilo só intensificou o ódio que me consumia em chamas violentas. Assim que recuperei o ar, novamente avancei sobre o traidor o derrubando da única forma possível. Joguei todo o peso do meu corpo sobre o de Emmett e ambos fomos ao chão. À essa altura, nossa briga já tinha atraído os poucos alunos no colégio, os quais usaram os celulares para registrarem a briga, interessados nas causas que nos levaram a ela.
Emmett era bem maior que eu, mas isso não reprimiu a vontade insana de matá-lo. Eu sabia que ia apanhar, mas queria deixar a marca do meu punho na cara dele.

(...)

Isabella PDV

Tive que me refugiar no Mustang, pois alguns estudantes que me reconheceram começaram a me xingar por causa do vídeo. Agora era oficial, eu tinha virado a piranha mais odiada do Democracy. Estava acostumada com as pessoas me odiando, mas não sabia como lidar com a falta de respeito dos rapazes.
Estava preocupada com o sumiço de Jasper. Ele tinha ido checar se era seguro minha entrada no colégio, mas estava demorando muito. Então, quando eu menos esperava, ele entrou no carro.
– O negócio ficou feio. – ofegou.
– Como assim?
– Edward saiu no braço com Emmett dentro do Democracy. Pela foto que vi no celular de uma garota...
– O quê? O quê? – aflita, queria saber de tudo.
– O fortão do time bateu no Cullen sem dó.
– Por quê? – franzi o cenho.
– Essa é a melhor parte. – riu. – Emmett transou com a Tânia.
Recebi a notícia de boca aberta. Fiquei tão surpresa que mal consegui rir.
– Mas isso é perfeito! Nem acredito!
– Será que a vida do cara pode ficar pior do que já está? – senti um vestígio de pena na voz de Jasper.
– Espero que sim. – baixei a cabeça.
– Dizem que chamaram seu nome pelos alto-falantes. Tem certeza de que quer passar por isso?
– Não posso me acovardar agora. – murmurei suando frio.
– Não vá, o Sr. Weber só vai te constranger e te expulsar.
– Quero ver o Edward. – fechei os olhos. – Preciso vê-lo derrotado.
– Como pretende encarar essa multidão?
– Sendo exatamente quem eles esperam que eu seja. – arfei.

Bella PDV

Erguia a cabeça e tirei os cabelos do rosto.
– Nesses tempos difíceis... – abri a porta do carro. – Os covardes latem e os corajosos seguem em frente.
Deixei J.P para trás e me enfiei entre os alunos, os quais abriram caminho ao notarem minha presença. Havia um misto de espanto e zombaria ao redor de mim. Alguns engraçadinhos me cantavam, as garotas me repudiavam e outros simplesmente não acreditavam que tive coragem de aparecer. Nada nem ninguém foi capazes de me abalar, pois eu tinha conseguido tudo que queria. O resto... Era o resto!

Edward PDV

O Sr. Weber tagarelava alto, me repreendendo por causa de minha conduta inapropriada. Fingi ouvir, mas minha cabeça estava tão cheia que sua voz soava como um zumbido distante.
Respirei com dificuldade mais uma vez e limpei o sangue que escorria da minha boca. Brigar com Emmett foi burrice, pois apanhei mais do que bati. Minha mente estava tão embaralhada que não consegui raciocinar rápido o suficiente para me defender da maioria dos golpes.
Não sei quem ouviu nossa discussão, mas parecia que todo o colégio já sabia que Tânia tinha transado com o meu melhor amigo. Os escândalos pesavam sobre meus ombros e me sentia caindo de joelhos. Minha ex-namorada ficou sentada ao meu lado e seu choro não me deixava esquecer o quão canalha fui ao lhe trair, porém ela tinha feito o mesmo comigo e isso amenizava meu remorso.
Por estar na sala do diretor, Emmett finalmente calou a boca, mas até sua respiração me irritava. Nunca mais irei suportar olhar na cara dele. Sua falta de lealdade não tinha desculpa.
Quando achei que meu tormento não podia ser maior, a porta da sala foi aberta e o perfume da desgraçada empesteou o ambiente. De cabeça baixa, tive que reprimir a vontade de matar Bella.
– Moça, sente-se! – o diretor ordenou e me forcei a prestar atenção na conversa.
– Como queira. – a garota sentou-se ao meu lado tripudiando sobre mim.
– Quem colocou isso aqui? – virou o monitor na direção dela. Ele tinha me feito a mesma pergunta e obviamente acusei Bella.
A cretina deu uma boa olhada no site e com desdém, respondeu:
– Meu chapa, não faço a menor ideia.
Como ela pode ser tão descarada? Filha da mãe!
Involuntariamente passei as mãos pelos cabelos quase os arrancando. A vontade de estrangular Bella estava me levando às raias da loucura.
– Essa maluca está mentido! – gritei perdendo o controle novamente.
– E por que estaria? – revidou.
– Você armou tudo! Armou pra cima de mim, sua maníaca!
Bella gargalhou.
– Amigo, do que está falando?
Levantei-me pra obrigá-la a confessar.
– CHEGA! – o Sr. Weber se impôs. – Ainda não perceberam o quanto estão arruinados? Por causa da repercussão desse vídeo, nenhum colégio particular do país vai aceitá-los. Isso tudo ficará no histórico permanente de vocês, então esqueçam as melhores universidades, pois eles não aceitam jovens com esse tipo de índole.
– Isso não pode estar acontecendo comigo. – murmurei sentando-me.

Bella PDV

– Vou ser sincera com o senhor. – me fingi de inocente. – Eu transei com o Edward, sim, mas não fui eu quem filmou e coloquei no site. O senhor sabe que isso é coisa de garoto. É evidente que esse idiota fez isso pra mostrar aos amigos que me comeu. Precisa entender que a vítima aqui sou eu. Não imagina o quanto estou sofrendo... – J.P tinha editado o vídeo eliminando qualquer coisa que me condenasse. – Todas aquelas pessoas me vendo, eu... eu...– deixei que uma lágrima escorresse por meu olho esquerdo. – Me sinto violentada.
Edward ficou mudo, tamanha era sua perplexidade. Lívido, me encarou como se eu nem fosse humana.
– Não quero saber. Os dois são culpados e irão lidar com as consequências. Liguei para os pais de vocês e eles estão vindo. Ninguém vai sair dessa sala até a questão ser resolvida. – fiquei feliz pelo diretor inútil finalmente tomar uma atitude de homem. Ia ser muito interessante ver os pais de Edward pirar com o que ele fez.
– Não, Sr.Weber. – Edward começou a implorar. –Tenho certeza que podemos resolver isso de outro jeito. Por favor, precisa fazer algo por mim. O centenário está chegando e...
– Lamento, Edward. Não posso te ajudar. Os donos da instituição exigem que seja expulso. – assisti com prazer a face do Cullen se contorce de dor e preocupação. Os olhos dele começaram a refletir o vazio do fracasso.
De repente, a secretaria entrou na sala berrando:
– Sr. Weber, os alunos estão tentando invadir o colégio, precisa...
Para a surpresa de todos, atiraram pedras contra a vidraça da sala. Ela estilhaçou, fazendo de todos nós alvos fáceis. Os covardes jogaram-se no chão, mas eu continuei sentada e acendi um cigarro enquanto o diretor ligava para a polícia. O coroa gritou com os desordeiros e por isso eles fugiram, deixando-o ainda mais bravo. Sem alternativas, o Sr. Weber nos abandonou e foi tentar conter os manifestantes. Assim que ele saiu, fui para a janela atraída pelo pandemônio. Mesmo de longe, podia ouvir a voz de J.P disfarçada pelos efeitos. A gravação vinha do alto-falante de um carro, alguém estava usando o discurso dele para incitar ainda mais os estudantes.
Sorrindo, respirei fundo deixando que o cheiro da total desordem invadisse meus pulmões. Então, ignorando tudo, principalmente os olhares de fúria vindo de Edward e sua corja, peguei a cadeira em que estava sentada antes e, sem pensar duas vezes, a joguei contra o que sobrou da vidraça. Antes de fugir, encarei mais uma vez o Cullen e dei um sorriso cheio de significados ocultos. Pulei a janela a fim de me encontrar com J.P para que comemorássemos o sucesso de minha “justiça”.
Enquanto atravessava o pátio correndo, podia ouvir o som das sirenes da polícia e o grito de guerra dos estudantes. Estava rodeada pelo caos e por ter sido justamente gerada por ele, sentia-me plena.

1 MÊS DEPOIS

"O curso do amor verdadeiro nunca fluiu suavemente."
(William Shakespeare)

Edward PDV


Levantei-me do chão quando os Falcons saíram do banheiro. Carente de forças, me inclinei sobre a pia e cuspi o sangue que enchia a minha boca. Ao olhar para o espelho, novamente me vi como um semi-vivo. Já fazia dois dias que meu olho esquerdo não abria por estar muito inchado e tinha mais hematomas que um lutador de rua. Infelizmente, os autores das agressões eram justamente aqueles que antes eu considerava meus companheiros.
Haviam se passado semanas desde que deixei de ser presidente do grêmio e atleta para me tornar uma vítima de bullying. Os Falcons começaram a me odiar quando Emmett abandonou o barco e se transferiu para outro colégio. Ele foi jogar com nosso maior rival em uma tentativa de manter sua reputação intacta, no entanto, todos desconfiaram de que foi embora por minha causa. Então quando o Filho da Democracia anunciou na rádio que eu havia dedurado o Mike, as desconfianças tornaram-se convicções.
No início eu lutava e resistia, mas depois de um tempo cansei de nadar contra a correnteza e simplesmente me entreguei. Não me importava com absolutamente nada, nem mesmo minha saúde.
Quando o sinal tocou, coloquei meus óculos escuros e peguei minha mochila do chão. Esperei os alunos irem embora e saí do banheiro a passos errantes.
Há um mês, tudo que queria era não ter que deixar o Democracy, mas agora amaldiçoava o poder do governador. A duras penas ele convenceu os donos do colégio a não me expulsarem, só que em troca exigiram o responsável pelo delito envolvendo o vídeo. Meu pai achou por bem encerrarmos a questão o quanto antes e eu vendi minha alma assumindo a culpa por tudo. Foi uma das coisas mais difíceis que já fiz.
Para que não ficasse tão evidente a influência de um político em questões internas, tiveram também que manter Bella no colégio. Os alunos não aceitaram bem a decisão e continuaram a fazer pequenas manifestações através de sites e blogs. Eles sentiam que a instituição estava completamente vendida e que não existia justiça que me alcançasse. Ninguém conseguia ver que eu estava vivendo entre o céu e o inferno, condenado a vir todos os dias para o colégio e suportar insultos, agressões e solidão. Não havia ninguém que não me odiasse e que não me culpasse pela piada que o Democracy se tornou quando o vídeo ganhou repercussão nacional, sendo usado pelos adversários políticos do meu pai para destruir sua campanha de reeleição.
Em casa, minha vida era ainda pior do que no colégio. O governador não me deixava esquecer que eu manchara seu nome com minha falta de responsabilidade. Ele esqueceu tudo que já fiz para lhe dar orgulho e lembrava-se apenas dos meus erros. Discutimos inúmeras vezes até que desistimos um do outro. Já não nos falávamos e o desprezo era mútuo.
Me arrastei até a sala de detenção para cumprir mais um mês do castigo. O local já esteve lotado de alunos que participaram da manifestação, mas os dias passaram e só restou Bella e eu.
– Está atrasado, Cullen. – o professor Gray falou quando me sentei na última carteira. – Quero uma redação com no mínimo mil palavras sobre o sistema educacional dos EUA.
Não respondi, apenas peguei o caderno e comecei a rabiscar palavras desconexas. Todos os dias depois das aulas ficava três horas naquela sala perdido em meus próprios pensamentos.
No início era quase insuportável respirar o mesmo ar que Bella. Cheguei a passar noites em claro procurando maneiras inteligentes de matá-la, mas até o ódio adormeceu quando o tempo passou e vi que absolutamente nada me faria ser o mesmo Edward. Então abandonei todas as preocupações e questionamentos, passei a respirar só por respirar... Viver só por viver.

Isabella PDV

Que raiva!
Normalmente ignorava Edward, mas alguns dias ele aparecia demasiadamente machucado e isso me deixava revoltada. Não era divertido “chutar cachorro morto”, queria que ele resistisse comandado por sua soberba, mas o maldito se entregara ao fracasso de tal forma que não conseguia sentir prazer com sua dor. Isso me fazia pensar que talvez estivesse chegando a hora de finalmente ir embora. Meus pais tentaram me mandar para um colégio no Canadá quando a “bomba” explodiu, mas eu me fingi de arrependida só para ficar e assistir a ruína de Edward. O problema é que em nenhum momento imaginei que seria tão... tão... Droga!

(...)

No dia seguinte, durante a aula de História, Jasper cutucou meu ombro e virei para encará-lo.
– Oi?
– Não esquece que temos aquele “lance” à meia-noite. – ele se referia ao programa de rádio que passamos a fazer só duas vezes por semana.
– Tudo bem. Estarei lá. – continuávamos a incitar os alunos contra a instituição, mas isso também já não me satisfazia tanto. Jasper se tornara o único locutor e eu apenas ajudava.
De repente, o alarme de incêndio soou e todos tiveram que sair da sala. Meu amigo e eu fomos os últimos a chegar ao corredor e por isso demoramos a entender por que todos riam.
– Já passei por isso e não tem graça. – Jasper murmurou.
Haviam pregado Edward pelo blazer no quadro de avisos e em sua testa estava escrito “bundão”. Eu também não achei engraçado, mas o restante dos alunos achou hilariante ver o ex-presidente do grêmio, o rapaz que um dia todas as garotas desejaram, metido em uma situação tão constrangedora.
– Não faça isso! – sussurrei.
– O quê? – fingiu-se de desentendido.
– Não sinta pena dele.
– Não sinto. – baixou a cabeça. – Ok... Eu sinto.
Voltei para a sala e ele me seguiu.
– Aquele inútil merece sofrer muito mais! – praguejei.
– É que é tão estranho. – Jasper me alcançou. – Ele não reage.
– É um covarde. – sentei na carteira.
– Era pra ser divertido, mas não está sendo, porque... – ficou plantando na minha frente balançando a cabeça. – Todo mundo um dia quis ser Edward Cullen, por isso é meio triste vê-lo tão... acabado.
– Não seja ridículo. – me aborreci. – Já esqueceu todas as coisas que ele fez?
– Mas...
– VOLTEM PARA OS SEUS LUGARES! – o professor ordenou em alta voz e assunto morreu ali.

(...)

Assim que cheguei à detenção, comecei logo a fazer o exercício que o Sr. Gray passou na esperanças de ser liberada mais cedo. Cinco minutos depois, Edward entrou na sala e sentou-se no lugar de sempre. O professor passou o mesmo exercício para ele, só que notei que havia algo de errado com o Cullen. Ele não tirava a mão esquerda do bolso e passou vários minutos com o rosto enfiado no caderno.
Inquieta para saber o que estava acontecendo, fui até o Sr. Gray com a desculpa de tirar uma dúvida sobre o exercício e deixei na mesa dele um bilhete. O professor leu o bilhete e foi ver o que Edward tinha.
– Qual o problema, rapaz?
Fingi ignorá-los, mas estava atenta à conversa.
– Nada. – ele respondeu baixo.
– Se sente bem?
– Sim. – continuou fazendo o exercício.
– Posso ver sua mão esquerda?
Edward demorou a responder.
– Não.
– Ou me mostra sua mão ou vai pegar mais uma semana de detenção.
Não resisti e o fitei. Quando Edward mostrou a mão, ela estava completamente ensanguentada. Tinham arrancado uma unha dele.
– O que foi isso? – o professor ficou chocado.
– O técnico pediu demissão e foi treinar a equipe de basquete do colégio Buckley. – respondeu baixo para que eu não ouvisse.
O Sr. Gray não entendia que os atletas culpavam Edward por todas as dificuldades que o Democracy estava passando.
– A enfermaria já está fechada. Vá para casa.
Voltei a olhar para o caderno sem saber se adorava ou odiava os Falcons. Mas de uma coisa tinha certeza, transar com Edward desencadeou uma sequência de acontecimentos interligados que continuava a destruí-lo mesmo sem eu mover uma palha. Queria me orgulhar disso..., mas não conseguia.

(...)

Centenas de pessoas estavam conectadas aos os Filhos da Democracia. Sem me consultar, Jasper montou um esquema para colocar os ouvintes no ar. Os incentivou a ligar e contar anonimamente seus segredos. Poder falar tudo que pensava mudou meu amigo e agora ele queria que outros passassem pelo mesmo tipo de experiência. Jasper deu aos jovens exatamente o que eles precisavam: uma chance de serem ouvidos.
Por horas ouvimos os mais diversos tipos de confissões. Coisas que faziam parte do universo adolescente como: problemas com drogas, revolta com os pais, vida escolar frustrada, medo de assumir suas opções sexuais, depressão, amores não correspondidos... Ouvimos casos tristes, outros nem tanto, mas cada uma dessas pessoas tinha uma história de vida. Isso me fez questionar os motivos que me levaram a acreditar que a minha história era pior do que a deles. Será que eu tinha mesmo o direito de ser cruel?
Quando Jasper colocou mais um ouvinte no ar, abri outra cerveja.
– Fala aí, amigo, você está no ar. – ele disse relaxando na cadeira.
– Oi. Eu só queria confessar uma coisa... Assim com todos os outros.
– Estamos te ouvindo.
– Muitas coisas ruins têm acontecido comigo e eu nem sei direito por que, mas quando paro e penso na minha vida... Sabe, talvez eu realmente mereça.
– O que te faz acreditar nisso?
Deitei-me na cama de Jasper morrendo de sono.
– Quando eu era criança, por anos maltratei uma garotinha que tinha... cicatrizes pelo corpo inteiro.
Jasper me encarou com a mesma expressão de surpresa que estava estampado em meu rosto.
– Continue. – ele mal conseguiu falar.

Edward PDV

Passei uma mão pelo cabelo e suspirei com dificuldade.
– Já faz tanto tempo, mas ultimamente tenho pensando muito nessa menina. – olhei fixamente para meu reflexo no espelho do roupeiro. – Às vezes é como se eu ainda estivesse lá. De alguma forma preso naquele momento. Eu fui tão cruel e maldoso, fiz coisas a essa menina que não se faz nem a um animal.
– Por quê?
Involuntariamente meus olhos ficaram úmidos e minha voz embargada.
– Fazê-la se sentir um monstro me fazia acreditar que era superior. Só que foi assim que fui criado, entende? Por toda a minha vida ouvi que para alguns chegarem ao topo outros precisam servir de degraus. Sei que fazemos idiotices quando somos crianças, mas nem mesmo quando cheguei à adolescência a deixei em paz. – baixei a cabeça por não suportar me olhar. – Tirei a virgindade dela só para agradar meus falsos amigos. – engoli em seco. – Eu provavelmente traumatizei essa garota de todas as formas possíveis. Por muito tempo tentei imaginar como ela se sentia, mas só recentemente compreendi o tamanho do sofrimento que afligi a alguém tão... indefeso.
– Percebemos que se arrepende... – pigarreou. – Mas se considera digno de perdão?
– Não. – sentei-me na ponta da cama. – Sabe quando dizem “aqui se faz, aqui se paga”? Sempre achei isso uma bobagem, mas talvez exista mesmo algum tipo de justiça no universo. Talvez o passado sempre volte para caçar os culpados.
– Pensar assim faz você se sentir melhor?
– Só me faz perguntar que tipo de ser humano eu sou. – fechei os olhos. – Porque já fui considerado confiável, influente, talentoso, mas quando olho pra dentro de mim mesmo... só vejo uma pessoa muito, muito feia. Sempre fiz tudo pelos propósitos errados e, agora que não tenho propósito algum, consigo ver tudo com mais clareza.
– Por que não fala pra essa garota como se sente?
– Acho que ela foi embora. Não a vejo há muito tempo, na verdade, nem consigo lembrar da última vez que a vi.
– Lamento. – fez uma longa pausa. – Quem sabe um dia...


Desliguei o celular e em um impulso o joguei contra parede. Frustrado e atormentando, coloquei as mãos na cabeça e não consegui fechar os olhos para fugir das imagens que emergiam do lado mais obscuro da minha memória. Dezenas... centenas de vezes que massacrei sem piedade Isabella.
Era como se ela estivesse ali, sentada ao meu lado me assistindo enlouquecer. Sabia que tudo aquilo era reflexo de uma consciência pesadíssima, só que mesmo assim ainda conseguia sentir a presença da pequena criança cujo rosto eu nunca vi.

Isabella PDV

Apoiei as mãos na janela buscando ar. Podia sentir os olhos de Jasper sobre mim, mas não conseguia me virar para encará-lo. A confissão de Edward abriu todas as antigas feridas, me deixando em carne viva. Eu até podia sentir o maldito, era como se estivesse ali me assistindo enlouquecer.
– Isabella, ele se arrepende. – Jasper falou com receio.

Bella PDV

– Se arrepende? – trinquei os dentes tremendo de raiva. – Ele me fez acreditar que eu não era nada! Me maltratou, me usou... O fogo marcou meu corpo, mas Edward marcou a minha alma. E agora ele se arrepende? Se arrepende? ELE SE ARREPENDE? OH, ELE SE ARREPENDE! – caí de joelhos socando o chão com toda a força. – ELE SE ARREPENDE! SE ARREPENDEEEEEE! AAAAAAAHHHHHHHH!

Isabella PDV

– AAAAAAAAAAAHHHHHHHH!
Jasper tentou me erguer, mas me debatia querendo socar o chão até que a dor física superasse a emocional.
– Isabella!
– ELE SE ARREPENDE! SE ARREPENDEEEEEEEE! – lágrimas transbordavam por meus olhos enquanto meus gritos rompiam o silêncio da madrugada. – AAAAAAAAAAAAAHHHHHHHH! EU O ODEIO! – Jasper abraçou-me com força e meus soluços me impediram de respirar, mas não me calaram. – EU QUERO QUE ELE SOFRA! QUERO QUE ELE MORRA! Que ele morra... porque... – cobri o rosto com as mãos. – Porque... Eu o amo, Jasper.
– O quê?
De joelhos, o segurei pelo colarinho de sua blusa e implorei:
– Me ajuda! Eu amo Edward desde que ele me tocou pela primeira vez. Me ajuda pelo amor de Deus porque não posso e não quero sentir isso. Estou cansada de ficar mentindo pra mim mesma o tempo todo. – caí novamente em um pranto sofrido. – Por que ele? Me responde! POR QUÊ? Por que eu continuo presa àquele maldito?
– Eu... – Jasper ficou tão chocado que não pôde fazer nada além de me encarar.
Encostei minha testa no piso e tentei fingir, como muitas outras vezes, que Edward não era ninguém, mas era impossível ficar indiferente a alguém que se tornara, de muitas formas, o centro da minha existência. Eu não conhecia outra vida, pois só enxergava os laços que me atavam ao passado e ao presente. Tudo parecia girar em torno dele... Tudo.
– AAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHH! – gritei com desespero, tentando fugir de um sentimento doloroso e totalmente inexplicável

Continua...

Eu sabia que todo esse ódio era o amor se mostrando de uma forma deturpada. Essa sede de vingança era apenas uma maneira de tentar sufocar esse amor. Acho que agora ela vai começar a repensar suas atitudes e talvez se arrependa dessa vingança. Quem sabe depois de presenciar todo o sofrimento pelo qual o Edward está passando e sabendo que ele se arrepende do que fez com ela, resolva perdoá-lo e tente dar a eles uma chance de recomçar de forma diferente. Beijos e até amanhã.

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5 comments:

  1. Sei la mas isso nao vai acabar muito bem adorei ate amanha beijusculo

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  2. rara eu falei q todo esse odio da bella ia se virar contra ela mesma! ai morendo de pena do meu totoso cullen

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  3. tenso esse e o mau da vinganca na hora e bom mais o depois ferra tudo por isso nao vale a pena, tadinho do ed e da bella!!

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  4. Nossa, foi Tânia que denunciou Mike!!!??
    E depois transou com Emmett!!?? Pior, transou com ele sem ainda ter transado com Edward??!! Tô chocada!
    R agora estou bege com essa declaração de Bella, de que sempre fora apaixonada por Edward. Eu imaginava q ela iria se apaixonar e não q já era apaixonada!!!

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  5. nossa to chocada com o sofrimento da Bella, coitada, fico imaginando como deve ta sendo dificil pra ela......sabe q cheguei até ficar com um pouco de pena do Edward, mas acho q ele deveria sofrer mais, ele podia ate se apaixonar pela Bella e a propria esnobar ele e fazer ele se arrastar por ela aí seria a vingança perfeita.....muito boa essa fic......bjs

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Forever

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Twilight Moms Brasil é parte de mim e espero que seja de você também, Forever.

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