FANFIC - PAIXÃO E CRUELDADE - CAPÍTULO 1




Boa tarde galera! Chegando com o primeiro capítulo da nova fic. E vamos acompanhar a transformação de uma Isabella reprimida e maltratada pelos companheiros da escola em uma Bella dominada pelo ódio e com sede de vingança...

Título: Paixão e Crueldade
Autora(o): Lunah.
Shipper: Bellard
Gênero: Romance, Universo Alternativo, Lime,
Darkfic, Drama
Censura: NC-16
Categorias: Saga Crepúsculo
Avisos: 
Álcool, Linguagem Imprópria, Violência, Heterossexualidade, Sexo

Paixão e Crueldade
By Lunah

Atenção: Este conteúdo foi classificado 
como impróprio para menores de 18 anos.
"Estou ciente, quero continuar!"


Capítulo 1

3 SEMANAS ANTES...

Isabella PDV

Eu estava tendo um daqueles sonhos que você tem consciência de que é apenas um sonho, mas não consegue acordar.
Me via de pé, na porta do refeitório do colégio Democracy, e avistei uma garotinha com cerca de 11 anos, sentada no chão em um canto de parede. Vários garotos da idade dela a circundavam, rindo e debochando. Não entendia muito bem o que falavam, por isso me aproximei devagar.
Era impossível tirar os olhos da garota, ela estava tão assustada escondendo o rosto com as mãos. Eu precisava protegê-la, necessitava afastá-la daqueles moleques insensíveis. Passei por entre os adolescentes e me coloquei entre eles e a garota.
– Parem! – pedi e as risadas continuaram. – Parem! – falei mais alto.
– Isabella duas caras! Isabella duas caras! – um garoto de cabelos acobreados e olhos verdes incitou os outros adolescentes. – Isabella duas caras! – todos o acompanharam em coro.
– PAREM! – gritei magoada.
– Isabella duas caras! – o garoto sorriu torto.
De repente, o silêncio pairou no lugar. Inquieta, me aproximei da garotinha que tremia e soluçava.
– Tudo bem. – fiquei de joelhos e afaguei-lhe os cabelos.
Ela lentamente ergueu a cabeça e por trás de algumas mexas de cabelo notei que metade de seu rosto era deformado. Não consegui reagir, mas senti que algumas lágrimas escorriam por minha face. A menina ergueu a mão trêmula e tocou minha bochecha. Assustada, coloquei as mãos no rosto e senti minha pele áspera e igualmente deformada.
– NÃÃÃÃOOOOOOOOOOO! – gritei tomada pelo desespero.
O grito ecoou pelo quarto escuro. Aflita, sobressaltei quase caindo da cama ao levantar. Corri até o banheiro em busca do espelho. Diante da pia, paralisei ainda em choque. Mesmo a minha face estando perfeita como fora nos últimos oito meses, meu coração batia em um ritmo acelerado. Toquei o espelho verificando se era real e, ao sentir o vidro gelado, pude respirar aliviada.
Eu fui prisioneira de minha aparência por quase toda a minha vida. Quando eu tinha 6 anos minha antiga casa pegou fogo e fiquei presa dentro dela. Os bombeiros me salvaram enquanto eu ainda queimava. Ninguém achou que eu sobreviveria às queimaduras de terceiro grau, mas eu sobrevivi. Infelizmente, tive que carregar comigo as marcas da dor. Quase todo o lado esquerdo do meu corpo ficou deformado pelas cicatrizes; o mesmo aconteceu com a minha bochecha, queixo e pescoço. Por muito tempo desejei ter morrido no incêndio, pois conviver com aquelas cicatrizes foi um inferno.
Meus pais sofreram junto comigo, mas não conseguiam aceitar que eu não podia ter uma vida normal, então tentaram me criar como uma criança igual a qualquer outra, ou seja, me enviaram para o pior lugar possível: a escola.
Durante muitos anos frequentei o Democracy, um dos colégios particulares mais prestigiados de Los Angeles. Obviamente, virei o centro das atenções assim que coloquei os pés lá, afinal, para eles, eu era uma aberração. Por cinco longos anos fui motivo de cruéis brincadeiras. A maioria delas lideradas por um garoto chamado Edward Cullen. Ao completarmos 13 anos, Edward parou de implicar comigo e eu deixei de ser “a atração de circo” para me tornar alguém quase invisível. Ninguém falava ou olhava para mim, as pessoas tinham medo, porque não entendiam o que se passava comigo. Alguns até achavam que as marcas no meu corpo eram contagiosas.
Quando eu tinha 15 anos, Edward voltou a me procurar, só que as lembranças dessa noite eram tão intensamente dolorosas que minha mente automaticamente as bloqueava.
Após tantos anos de abusos, e negligências por parte dos professores, me senti sendo dividida ao meio. Meu superego diminuía, enquanto uma parte de mim, egoísta e sem princípios, que se auto-intitulava Bella começava a se sobressair. Era essa mesma parte que me mantinha viva, pois quando ela assumia o controle eu virava uma mera expectadora e não tinha que lidar com a realidade.
Por sorte, quando eu estava prestes a completar 18 anos, meus pais me levaram para a Rússia onde fiquei meses em um clínica sendo voluntária em um tratamento revolucionário com células-tronco, injeções de silicone e exposições a raios laser. O tratamento era polêmico, não aceito na comunidade médica e nem sempre tinha os resultados desejados. A princípio, achei que não daria certo, pois era muito doloroso, só que aos poucos os resultados de anos de pesquisas surgiram em minha pele. Contrariando as expectativas dos médicos, minhas cicatrizes sumiram completamente e fiquei simplesmente perfeita.
Agora que eu não era mais um monstro, almejava ter tudo aquilo de que um dia fui privada. Não queria mais ser a “Isabella duas caras”, estava determinada a ser a mulher linda, ousada e divertida que sempre fui por dentro, mas o mundo nunca viu.
O dia estava amanhecendo e meu retorno ao Democracy seria em grande estilo. O meu único motivo para voltar àquele lugar que me causou tanto sofrimento era Edward, pois Bella estava pronta para fazê-lo pagar por todos os seus crimes.

Edward PDV

Dentro da sala do grêmio, explicava para o pessoal como resolveríamos os problemas de orçamento da festa do centenário do colégio. Aquela festa era de extrema importância para mim, pois entraria para a história do Democracy. Há semanas planejava e supervisionava todos os detalhes, abdicando do meu tempo livre e voltando toda a minha concentração para o projeto.
 Gente, é o último ano da maioria de nós aqui. Sei que os estou pressionando mais do que de costume, mas lembrem-se de que valerá a pena.  suspirei jogando a prancheta em cima da mesa.  É a nossa chance de lapidarmos de uma vez por todas nossos nomes na história do Democracy.  fui firme em minha declaração.
 Ele tem toda razão.  Eric, o vice-presidente, se colocou de pé.
Sua manifestação incitou os demais, que começaram a enxergar o futuro da mesma forma que eu. A festa que organizávamos seria tão bem sucedida que pelo menos nos próximos 20 anos se lembrariam de nós, e da forma quase perfeita com que geríamos as coisas em nosso colégio.
No final da reunião, Emmett, o capitão do time de basquete, adentrou a sala.
 Por que toda essa agitação?  indaguei arrumando minhas coisas.
 Estou apaixonado.  colocou a mão no peito.
 Sei...  vesti meu blazer.  Não falou o mesmo na semana passada? Você sabe, antes de transar com a Hader Paxton.
 Dessa vez é diferente.  riu.  Chegou uma novata no colégio que já mexeu com a minha cabeça.
 Novata?  estranhei.  Não estou sabendo disso.  normalmente me avisavam com antecedência e eu designava alguém para recepcionar os calouros.
 Ela está no refeitório.  sorriu animado.

(...)

Precisava ver com meus próprios olhos. Meu amigo me acompanhou até o refeitório lotado, onde indicou a garota. O problema é que nem precisava, já que sua aparência a fazia se destacar. Ela estava sentada na ponta de uma mesa, conversando com um carinha do clube de informática.
 Como ela pode vir vestida assim?  chateei-me.
A garota de cabelos negros desonrava o uniforme do Democracy usando a blusa com a barra amarrada, mostrando desnecessariamente a barriga. Sua saia estava com o cós dobrado para diminuir o comprimento, e colocou um cinto largo por cima. As alunas costumavam usar meias até a panturrilha, mas a novata estava com umas na altura da coxa e ainda por cima exagerou no salto do sapato. E como se isso tudo já não fosse o suficiente, ainda teve a ousadia de usar blazer por cima de seu uniforme não convencional, praticamente insultando a imagem do nosso colégio.
 Gostosa né?  Emmett era sempre comandado pela cabeça de baixo.
 O diretor já viu a fulana?
Eu prezava muito pela reputação do Democracy, por isso irritava-me ver uma novata achando que podia deitar e rolar no meu território.
 Me falaram que ela já andou discutindo com o Sr. Weber por causa do uniforme. Parece que conseguiu provar que no estatuto do colégio não existem regras para o tamanho do uniforme ou como ele deve ser usado, cita apenas que deve estar completo. De qualquer forma, isso a colocou no mapa. Todos estão falando dela.
 Espero que isso não vire moda.  bastou eu me calar para uma aluna passar por nós com a barra da blusa amarrada, mostrando também o umbigo.
 Olha aí as coisas melhorando.  meu amigo se animou.
 Quer saber? Vou falar com ela!  tive esperanças de resolver a situação amistosamente.
 Tou na cola!  Emmett me seguiu.
Atravessamos o refeitório e paramos diante da novata. – Olá. – assenti, colocando as mãos para trás.

Bella PDV

Foi ridiculamente fácil chamar a atenção de Edward. O otário fingia ser tão careta quanto o Papa.
 Oi.  sorri.
 Sou Emmett McCarty.  o tarado do Democracy foi logo me estendendo a mão.
 Bella.  apertei sua palma, comandando o jogo.
 Esse é Edward.  o idiota deu um tapa forte nas gostas do Cullen.
 Prazer.  respondi sensualmente.
 Em nome dos alunos, vim te dar boas vindas.  notei que minha presença já o incomodava.
 Obrigada.  ri trocando um olhar com Jasper, o qual praticamente escondeu o rosto dentro de um livro.  Vocês aqui até que são educadinhos.  meu comentário não agradou o Cullen.
 De que escola você veio?  indagou Emmett.
 Pública.  precisava contar mentiras que não fossem descobertas facilmente.
 Ah...  Edward balançou a cabeça como se dissesse: isso explica tudo.
 Você vai adorar o Democracy! Temos muitas atividades...  o McCarty me lançou um olhar malicioso.  Algumas são interessantíssimas.
 Eu não duvido.  deixei-o achar que era O cara. Já Edward não parava de olhar para o meu uniforme, nitidamente o reprovando.
 Algo de errado, Edward?  minha pergunta saiu cheia de desdém.
 Como veterano, vou te dar um bom conselho.
 Sou toda ouvidos.
 Fuja de problemas.
 Eu fujo, mas não tenho culpa se eles não fogem de mim.  desci da mesa e meus olhos fixaram-se nos dele.
 Hoje tem jogo!  Emmett falou alto em uma tentativa patética de chamar minha atenção.  Nós temos o melhor time de basquete do Estado. Você precisa ir ao jogo.
 Não sei...  fingi pensar.  Você joga, Sr. veterano?
 Sim.  Edward assentiu, verificando as horas em seu relógio de pulso.  Daqui a pouco tem treino. Vamos, Emmett.
 Ok.  o comedor de retardadas me encarou.  Se não for ao jogo, vá à festa da vitória na minha casa.
 Talvez eu vá.  sorri.
 Quer o endereço?
 Não. Eu me viro.
 Será minha convidada de honra.  beijou minha mão, cheio de segundas intenções.
 Bom jogo.
 Até mais, Bella.  Edward saiu primeiro e Emmett o seguiu.
Notei que várias pessoas me observavam. Muitos se mordiam de curiosidade querendo saber o que os rapazes conversaram comigo.
 Eu não acredito nisso!  Jasper fechou o livro com força.  Como eles não te reconheceram?

Isabella PDV

 A maioria das pessoas aqui nunca viu o meu rosto.
Por muito tempo usei os cabelos para cobrir minhas imperfeições. Assim como Jasper, vivia tentando fugir dos olhares. Andava por aí curvada, sempre com medo de ser tocada por algum curioso.
 Isso tudo parece tão surreal.  limpou seus óculos de grau.
Jasper Whitlock era o meu único amigo. Ele era um gênio, não havia nada que não conseguisse fazer com um computador. Infelizmente, era tratado como lixo, pois seu pai perdeu a fortuna da família em mesas de jogo e em péssimos investimentos na bolsa de valores. Sem ter como pagar as dívidas, o Sr. Whitlock fugiu, abandonando a mulher e o filho. Na época, isso foi um grande escândalo e o coitado do Jasper ficou marcado por isso. Ele odiava o Democracy tanto quanto eu, mas necessitava da bolsa de estudos.
 Então?  sorri.  Vamos à festa?
 Não! Ficou louca? Eu gosto da minha pele.  acariciou seu braço.
Por Jasper ser tímido, inteligente e pobre, os metidos a machões do time sempre faziam brincadeiras cruéis com ele. O usavam como objeto de divertimento e até o forçavam a fazer trabalhos escolares para eles. Meu amigo conhecia a dor do preconceito tanto quanto eu.
 Vamos, não vai acontecer nada.  coloquei uma mão em seu ombro em solidariedade. Eu me preocupava muito com Jasper.
 Desculpe Isabella, mas não tem jeito. Sabe o quanto foi difícil tirar aquela cola toda do meu cabelo?
Semana passada tinham derramado um tubo de cola branca em cima de Jasper.
 Pensarei em como dar um jeito nesses caras, J.P.  olhei para o vazio me corroendo por dentro.
 Não faça nada, Isa. Você pode se complicar.
 Estou aqui só para me complicar, esqueceu?  sorri torto.  A propósito, não se esqueça de me chamar só de Bella.
 Claro, desculpa. É que é difícil me acostumar. Ainda nem me acostumei com sua nova aparência.  olhou bem para o meu rosto.  Você está muito linda, garota.
Gargalhei.
 São seus olhos... E os olhos de todos os outros.
 Tenho aula.  riu levantando-se.
 Ei, te pego às 21:00h.
 Não vou a essa festa, Isa... Bella. Esqueça!
 Isso é o que vamos ver, J.P..  pisquei o olho.

(...)

Sentada no último degrau da arquibancada do ginásio, acendi um cigarro. Lá de cima fiquei assistindo o time de basquete treinar ao invés de ir para a minha aula de Francês.
Por trás dos óculos escuros, meus olhos acompanhavam incessantemente cada movimento de Edward. As gotículas de suor que se formavam em sua testa escorriam até o queixo. Enquanto a bola quicava na quadra, os músculos de suas pernas e braços trabalhavam, gerando movimentos rápidos e coordenados. A cada cesta perdida, seu estresse era denunciado por um suspiro de lamento e perturbação.
O ginásio vazio amplificava em eco os latidos dos cães, cujas vidas eram tão vazias quanto o próprio ginásio. O que fazia daquelas criaturas merecedoras de serem chamadas de homens? Órgãos sexuais tão imundos quanto suas mentes? Coragens não testadas?
Ah, quem me dera ter o poder de ceifar um por um...
Esse pensamento me deixaria triste se eu não estivesse em júbilo por ter todo o meu veneno reservado para Edward Cullen.

Edward PDV

 Marca, Ed! Porra!  Emmett reclamou logo depois que Mike fez uma cesta.
Passei uma mão no rosto e procurei me concentrar. Mantive meus olhos na bola, que por algum motivo não estava colaborando comigo. Antes que eu pudesse “entrar no jogo”, o treinador apitou.
 Cullen, vem aqui!  gritou de fora da quadra.
Fui até ele, sentei no banco e bebi um pouco de água.
 Qual o problema, rapaz?
 Não é nada. Estarei melhor à noite.
 Eu já falei que essa história de organizar o centenário está estragando o seu desempenho. Não dá pra você fazer as duas coisas.
 Farei as duas coisas e até três se for necessário.  levantei-me para voltar ao jogo.
 Mantenha a concentração.  exigiu severamente.
 Deixa comigo!
Voltei correndo para a quadra.
 Minha gatinha veio me ver.  Emmett me abordou, sorridente.
Não pude deixar de me perguntar o que a novata realmente estava fazendo ali. Ela não me pareceu tão interessada assim em Emmett. De qualquer forma, sua presença me incomodava. Manter-se vestida como uma vadia era desrespeito demais para com o sistema educacional.
 Não acredito que a convidou para a festa.  reclamei.
 Qualé? Eu preciso de uma nova “peguete”.
 Vamos treinar!  encerrei o assunto.

Bella PDV

Edward estava puto, e eu já sabia que no meu segundo dia de aula viria com a saia ainda mais curta.
Fiquei abrindo e fechando o meu isqueiro de olho em Tânia, que acabara de entrar no ginásio, acompanhada por suas amigas. Alguém deve tê-la avisado de que a “novata” estava “secando” os atletas.
O que posso dizer sobre Tânia? É uma sonsa fútil!
Ela e o Cullen formam um casal perfeitinho e incrivelmente chato. Eles namoram há uns dois anos e nunca transaram, pois a princesinha é a favor do sexo só depois do casamento. Em outras palavras... São dois reprimidos que deixam de viver suas vidas só para satisfazerem as expectativas alheias.
Tânia, se sentindo ameaçada, ficou para ver o resto do treino e eu me mandei.

(...)

Não fui ao jogo, mas por volta das 21:00h fiquei esperando J.P. em frente à sua casa. Dentro do meu recém comprado Mustang Shelby, o qual batizei de “Sally”, coloquei uma música bacana pra tocar e acendi um cigarro.
Tinha certeza de que J.P. estava trancado no quarto, tirando e colocando seu surrado sobretudo, indeciso sobre o que fazer. Parecia que conseguia vê-lo dizer a si mesmo que era suicídio, porém sua ânsia de conhecer algo além da rotina de estudos falava mais alto.

Isabella PDV

Não o culpava. Eu também estava indecisa, não sabia se era o momento certo de me aproximar da corja do Democracy. Joguei o cigarro fora e respirei fundo.
Meu estômago congelou ao olhar para o meu reflexo no espelho retrovisor. Meu rosto, que já fora semelhante ao de um monstro, estava lindo. Infelizmente, a maquiagem escura nos olhos não podia esconder a dor incrustada em minhas íris. Meus lábios rubros serviriam de convite para os homens essa noite, e eu temia fraquejar e acabar fugindo de lá. Eu não podia dar pra trás, não agora!
 Vamos!  Jasper entrou no carro batendo a porta.
 Demorou muito para se decidir?  prendi o riso.
 Troquei de roupa 6 vezes.  revirou os olhos.
 E ainda assim veio com seu velho sobretudo?  ri.  Ele, combinado com seus óculos, faz você parecer um cientista maluco.
 Mas eu sou um cientista maluco.  franziu o cenho, em seguida me analisou.  Você está um arraso.
Sem querer ruborizei.
Eu estava com um vestido branco e simples, o qual não era muito curto. As alças que, às vezes, deslizavam por meus ombros não me incomodavam, pois o cinto bem colocado em minha cintura garantia que a peça ficasse em seu devido lugar. O vestido de aparência virginal entrava em conflito com minhas botas vermelhas de salto agulha e, claro, com os braceletes de couro e metal. O bracelete do meu punho esquerdo possuía o brasão do Democracy. Uma piada que Edward, com certeza, ia adorar.
 Nervoso?  indaguei.
 Borrando as calças. E você?
 Não vejo a hora de me depravar.  gargalhei.  Relaxa aí, eu cuido de você J.P.
aumentei o volume do som, dei a partida em “Sally” e pisei no acelerador.

(...)

 Vamos embora enquanto é tempo.  J.P. quis fugir e não permiti.
 Seja homem!  o puxei pela manga do sobretudo. O mantive perto de mim, como se protegesse um cachorrinho assustado.
Caminhamos em direção à entrada da casa de Emmett, que ficava em um bairro de classe média alta. Vários carros estavam estacionados na rua e o som vindo da casa era alto o suficiente para incomodar a vizinhança. Certamente a festinha não duraria muito, então eu tinha que tratar de aproveitar.
Assim que entramos na casa, reconheci 100% dos rostos que vi. O Democracy em peso estava presente.
 E agora?  J.P. se escondia atrás de mim.
 Fica numa boa. Vou procurar o Edward.
 Espera!  segurou o meu braço.  Se ouvir gritos agonizantes e desesperados, não se preocupe...  ironizou ajustando os óculos.  Serei eu.
 Bebe alguma coisa.  dei-lhe um tapinha nas costas.
Me espremendo entre os alunos que dançavam e se “pegavam” na sala, consegui chegar à cozinha. Lá me encostei na soleira e fiquei observando os Falcons comemorarem a vitória com um barril de cerveja.
Tirei o isqueiro do meu sutiã e, quase como um tique nervoso, fiquei abrindo e fechando, à espera de um cigarro. Então, sem conseguir me conter, comecei a rir debochadamente da forma como os Falcons e suas garotas puxavam o grito de guerra do time. Eles se consideravam heróis, sentados em torno de uma mesa grande rodeados de bebidas e puxa-sacos. Edward parecia contente, tinha ali tudo que queria, incluindo Tânia em seu colo.
 Ei!  Emmett gritou ao me avistar.
Com a mesma ânsia que um animal no cio, afastou-se de seu bando e veio até mim.
 Vai, Falcons!  debochei.
 Que bom que veio.  me deu um beijo na bochecha.
 Não perderia essa festa por nada.
 O que posso oferecer à minha convidada?
 O prazer de um cigarro, uma dose de gin e...  sorri torto.  Sua companhia.  Era divertido manipular Emmett.
 Posso te oferecer isso tudo em grande quantidade.  ele já devia estar contando comigo em sua cama. Retardado!
– Espero que sim, pois não me satisfaço facilmente.
Pela expressão que o cara fez, estava agradecendo aos céus.
 Já volto com sua bebida.
 Corre, Falcon, corre!  incentivei tirando onda.
Logo que Emmett saiu, olhei para Edward e o flagrei nos observando. Imediatamente acenei, na maior cara de pau. Ele desviou o olhar, em uma tentativa inútil de me ignorar.

(...)

BELLA! BELLA! BELLA! BELLA!
Em pé, em cima do balcão da cozinha de Emmett, ouvi dezenas de alunos gritarem meu nome em coro. Terminei de beber toda a cerveja da lata enquanto Mike mal conseguia tomar a dele.
 Porra, essa garota bebe feito homem!  ele berrou meio bêbado, em seguida, tentou beijar meu rosto, mas Emmett o puxou não querendo me dividir.
Até aquele momento ninguém tinha conseguido beber cerveja mais rápido do que eu. Era um joguinho idiota, mas foi bacana derrotar quase todo o time de basquete.
 Alguém aí se habilita? Quem vai tentar derrotar a novata?  Emmett estava coordenando as apostas.
Sorri na direção do Cullen, o qual estava afastado do tumulto junto com sua namorada.
 Quem sabe o Sr. veterano ali não me vence?
 Vem, Ed!  Emmett o chamou em voz alta.  Anda, cara!
De longe, ele fez sinal que não.
 Não seja covarde. Serei boazinha com você...  minha provocação fez seus colegas rirem.  Prometo!
Obviamente, chamá-lo de covarde deu resultado, pois o Cullen vivia de aparências e não podia por em risco seu título de “fodão”.
 Vamos lá, vou ganhar essa!  passou pelo pessoal, sendo incentivado por seus puxa-sacos. Poucos perceberam que estava se fingindo de empolgado.
Ele subiu no balcão e nos entregaram duas latas de cerveja.
 Bora, pessoal! Bora apostar aqui no meu mano!  Emmett queria lucrar às nossas custas e eu não dava a mínima pra isso.
 Preparada?  Edward sorriu tentando me provocar.
 Não imagina o quanto.  o encarei com intensidade.
Emmett encerrou a contagem regressiva e nós abrimos as latas ao mesmo tempo. Comecei bebendo muito, mas me contive para deixar o filhinho do governador vencer. Ele deu o máximo de si e o desafio acabou rápido.
 Ééééé!  ergueu os braços se sentindo um vencedor e o lixo do Democracy o venerou como sempre.  Desculpa novata, mas você se deu mal dessa vez.  riu com satisfação.
 Você é um vencedor nato.  elevei seu ego, pois os que se sentem imbatíveis são facilmente derrotados.
Depois de um tempinho, retornei para a sala em busca de J.P. E foi aí que um babaca entrou no lugar com uma mangueira ligada espirrando água em todo mundo. Muitos ficaram molhados, inclusive eu.


Chateada, olhei pro meu vestido e notei que ele ficou um pouco transparente em algumas partes. Óbvio que não ia choramingar por aquilo como algumas garotas estavam fazendo. Ao invés disso, resolvi usar o contratempo a meu favor. Empurrei quem estava na minha frente e me enfiei no meio da sala, dançando loucamente ao som da batida deliciosa.
A música parecia estar entrando através dos meus poros, me proporcionando uma sensação incrível de prazer e liberdade. Era a primeira vez que eu dançava em público, por isso não existia ser humano vivo que fosse capaz de me deter. Por muito tempo fui reprimida, apenas um ser anônimo escondido nas sombras do medo e preconceito.
Rebolando como nunca fiz antes, me despi de toda timidez de uma vez por todas. Eu queria me expor e liberar toda a sensualidade através da linguagem corporal. Meu coração acompanhou o devaneio da minha mente, mergulhando também na sensação extasiante que era ver a maior parte dos homens presentes me desejando. Era como se eu tivesse acabado de chegar ao mundo. Tudo era tão novo, tão empolgante que eu tinha vontade de gritar.
Certamente estava parecendo uma pirada jogando o cabelo de um lado para o outro, mas eu não dava à mínima. No passado, a vida me roubou a alegria de viver e, agora, quem podia me julgar por tomá-la de volta com a voracidade de uma leoa?

Continua...

Algo me diz que essa Bella vai aprontar muito nesse Democracy. Ela parece alguém realmente sedento por vingança e não vai poupar ninguém para alcançar seu objetivo. Quero muito saber o que o Edward fez de mais grave pra ser alvo de tanto ódio. Amanhã volto com o segundo capítulo. Beijos.

6 comments :

  1. Oi moms amei esse cap perfeito amei essa Bella tmbm estou louca pra saber o que o Ed fez pra ela ate amanha Beijusculo:*

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  2. ta ficando boa!!na espera por mais cap.

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  3. apenas uma palavra: AMEI

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  4. Amei tbm mto curiosa pra saber o q vai acontecer com a bella e o ed!!

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  5. Nossa... tá começando a esquentar. Agora, só fiquei imaginando Edward na
    quadra... todo suado... hehehehe..
    Só quero ver o que ela vai aprontar!!

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  6. Adorei ....fikei curiosa para o proximo capitulo!!

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